Pensamentos de uma Sexta 13, a Angústia de Heidegger.

Esta semana foi uma daquelas que se pode dizer: nem boa, nem ruim. Tentei expandir meu conhecimento ouvindo e refletindo muito sobre diversos temas. Gosto de ouvir pessoas consideradas filósofas, mas que são do nosso tempo e da nossa realidade. Não que o que os grandes, como Sócrates ou Platão, disseram não caiba nos dias de hoje; pelo contrário, de forma assustadora, cabem como uma luva.

Abrindo um parêntese, chego a duas conclusões óbvias. A primeira é de como, enquanto sociedade, evoluímos em tecnologias e métodos de execução, mas somente nisso. Nosso comportamento permanece com padrões que já foram apontados no passado, talvez tendo mudado apenas a proporção quantitativa. A segunda é que, sabendo desse histórico e não conseguindo evoluir, tais comportamentos parecem inerentes ao ser humano.

Mas voltando ao que eu escrevia: ouço bastante conteúdo do Professor Luiz Felipe Pondé, do Professor Clóvis de Barros Filho e até mesmo outros conteúdos menos filosóficos em sua natureza, mas plurais em seus temas, como os de Daniel Lopez. Não vou entrar no mérito desses autores, pois são pessoas com um conhecimento invejável e humildes a ponto de reconhecerem que nada sabem.

Hoje, ouvi uma rápida explanação do Professor Clóvis sobre a angústia em Heidegger. Foram pouco mais de quatro minutos enriquecedores. Nela, entendi que o “Ser”, quando ligado à utilidade, possui um valor. Mas o “Ser”, quando deslocado de seu lugar de utilidade, torna-se algo que chama a atenção justamente por esse deslocamento de sua finalidade premeditada. O resumo do que seria a angústia para Heidegger é saber que tudo está no seu lugar, mas não há sentido naquilo. Nas palavras do professor: “Tudo está flutuando”.

Ao pesquisar mais a fundo, vê-se que Heidegger vai além. Ele mostra que a angústia não é necessariamente ruim; ela pode ser uma ferramenta que nos impulsiona a buscar o sentido das coisas. A angústia é o “susto” necessário que nos tira do torpor do cotidiano e nos obriga a encarar a responsabilidade e a liberdade de existir. Professor Neocir de Filosofia lá do Colégio Assunção estaria sorrindo agora. Um grande abraço ao famoso Pelocir.

Nisso, saímos de um tema de 1800 e entramos em 2026. Ontem, ao assistir a alguns vídeos de canais que gostamos — eu e a Pri, deitados no sofá —, observamos pessoas que vivem estilos de vida diferentes do nosso. Vale lembrar que o que está na internet e nas redes sociais é um recorte ínfimo da realidade daquelas pessoas, mas é interessante o quanto contrastam com as nossas vidas e com a da grande maioria.

Vemos vídeos de vivacidade através da liberdade. Um storytelling repleto de gatilhos que provocam, quase como se perguntassem: “Por que você não faz também? O que te impede?”. Claro que, mentalmente, conseguimos responder a boa parte dessa provocação sobre o porquê de não ser possível viver desta ou daquela forma. No entanto, também estamos vivendo a “era do assistir”. Assistir ao outro viver através de vídeos, stories, reels e tantas outras formas. É quase como se aquelas pessoas fossem nossos próprios alter egos, e disséssemos a elas: “Eu não vivo isso porque não posso fazer X ou Y, não quero passar por tal situação, mas que bom que você está passando por essas experiências”.

Não é inveja — embora às vezes possa ser um pouco —, mas acredito que seja uma racionalização excessiva. Penso a todo momento o quanto aquelas pessoas tiveram que “gastar” para estar naquele vídeo. E não falo apenas de dinheiro, mas de tempo, de abdicar do conforto, da família e dos amigos. Essa minha racionalização de “custos” me leva à conclusão de que aquilo não faz parte de algo que eu estaria disposto a enfrentar. Sei também que a grande verdade é que essas pessoas tiveram, sim, esses custos, mas sob uma visão totalmente distinta.

Então, entendi: “Só quem arrisca merece viver o extraordinário”, como na música do Filipe Ret. Qual é a sua angústia? Para onde ela te levará?

Vou trabalhar para que a minha angústia me leve ao meu extraordinário.

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Porquê?

Quando se tem tempo para pensar — e nos últimos meses tenho tido de sobra —, você percebe que sempre pensou inúmeras coisas fantasticamente inúteis, úteis, revolucionárias e até mesmo reveladoras, mas nunca anotou ou registrou…
E esses pensamentos todos, de boa parte dos quais eu nem sequer me lembro, certamente são desmentidos ou contrariados pelos pensamentos que tenho agora ou que terei no futuro.
Por isso, escrever esses pensamentos se torna tão interessante.
Quem sabe eu os leia daqui a 10 anos e possa entender algo que o meu ‘eu’ do passado não tenha entendido, ou melhor, possam me confundir ainda mais.
Este é um pequeno texto, dos próximos não tão pequenos que virão.

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